Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

UM COPO DE ÁGUA PARA A MÃE DE JUAN ALCAIDE




UN VASO DE AGUA PARA LA MADRE DE JUAN ALCAIDE

Te recuerdo callando entre mujeres
mientras tu Juan, ya huésped de la caja,
aguardaba los puentes de la tierra.

Yo no lo quise ver porque me daba miedo.
No porque de la muerte me estremezca
ni un muerto me dé espanto,
sino porque era Juan con su calva y su frente
y con sus labios gordos y sus manos helándose.

Entonces me dio miedo de estar en Valdepeñas,
de haber llegado en tren por la mañana
y haber bebido vino antes de verte.
Porque tú estabas, blanca, en una silla
sin pronunciar un verbo
y con gesto de nuca.
No sabías
si estabas en tu casa, si de lejos
veías su tejado, negro ahora.

Transitaba la gente por el patio,
y tú, entonces, pensabas
en camisas planchadas y en pañuelos;
en perfumes de flor y de maderas,
y nada de la muerte y de su prisa.

Cerca estaba tu hijo:
fuerzas hacían por alzarle algunos.

 Ángel Crespo



UM COPO DE ÁGUA PARA A MÃE DE JUAN ALCAIDE

Recordo-te guardando silêncio entre mulheres
enquanto o teu Juan, já hóspede do caixão,
aguardava as pontes da terra.

Eu não o quis ver porque me dava medo.
Não porque estremeça diante da morte
ou porque um morto me cause espanto,
mas porque era Juan com a sua calva e o seu rosto
e com seus lábios gordos e suas mãos gelando.

Então deu-me medo de estar em Valdepeñas,
de ter chegado no comboio da manhã
e ter bebido vinho antes de te ver.
Porque tu estavas, pálida, num banco,
sem pronunciar uma palavra
e com um semblante alheado.
Não sabias
se estavas em tua casa, se de longe
vias o seu telhado, agora negro.

Transitava a gente pelo pátio,
e tu, então, pensavas
em camisas engomadas e em lenços;
em perfumes de flor e de madeiras,
e nada sobre a morte e a sua instância.

Próximo estava o teu filho:
forças tinham outros para o erguer.

(versão pessoal)